Alô, alô Iberê

 

Ontem (24), o governador Iberê Ferreira realizou visita surpresa ao Hospital de Assu. Não encontrou médico de plantão e afirmou que a situação era quase caótica para um município que possui quase 60 mil habitantes.

 

“Se entrasse alguém naquela hora com mal súbito, o que iríamos fazer”? Indagou Iberê em entrevista à imprensa.

Alguém avise ao governador que Caicó tem mais de 60 mil habitantes. E a exemplo de Assu, vez por outra não se encontra médico de plantão nos dois hospitais da cidade.

João Maia não corre os riscos de Iberê e Robinson

 

No ano de 2007, quando já se especulava que dentre os nomes de Iberê Ferreira (PSB), João Maia (PR) e Robinson Faria (PMN) sairia o candidato do sistema wilmista, analisei num texto as possibilidades e perspectivas de cada um na corrida sucessória.

 

Daquela análise de 2007 ressalto aqui a previsão que fiz naquela época. Escrevi que, apesar da óbvia inclinação da então governadora Wilma de Faria (PSB) por Iberê, ainda não existia certeza sobre o nome que seria ungido a candidato do sistema. Entretanto, se não havia convicção de um vencedor, sabia que dos três um não sairia perdendo na disputa: o deputado João Maia.

 

O parlamentar seridoense não foi o escolhido de Wilma para disputar o governo, mas em face de diversas circunstâncias, está municiado para sair vitorioso das urnas no próximo mês de outubro e, importante, extremamente fortalecido para os próximos pleitos.

 

Ao contrário de Iberê e Robinson, João Maia navegará tranqüilo nas eleições deste ano. Acredito que a deputada Fátima Bezerra (PT) seja a única com chances reais de tirar-lhe a primeira colocação de federal mais votado. Um bom desempenho continua lhe credenciando para vôos futuros.

 

Apesar do favoritismo da chapa encabeçada pela senadora Rosalba Ciarlini (DEM), há o risco de Robinson Faria naufragar no intento de se eleger vice-governador. E, se eleito for, o sonho de um dia ser governador se encontra em longínquos oito anos. A Rosa deve tentar a reeleição e, apesar da incrível mutação na política potiguar, ele provavelmente não encontrará meios e apoios para uma candidatura própria e robusta.

 

Já Iberê navega na difícil missão que ora assistimos. Antes de pensar em vencer Rosalba, precisa estar à frente de Carlos Eduardo (PDT) para ir ao segundo turno da eleição.

 

Nas últimas horas, a imprensa tem especulado sobre a possibilidade de João Maia ir às urnas como o vice de Iberê. Não acredito muito nessa hipótese, pois seria trocar o certo pelo duvidoso e é fortíssima a possibilidade de ele assumir o Ministério dos Transportes na hipótese de Dilma Rousseff (PT) se eleger presidente. Pra tanto, é quase que indispensável possuir mandato e continuar como um parlamentar influente no Congresso Nacional.

 

Todavia, o trunfo maior de João Maia para seu futuro político a médio e longo prazo se encontra no partido que preside: o PR. Desde que assumiu a presidência da legenda, tem realizado um demorado e eficiente trabalho de fortalecimento do partido.

 

De um partido quase nanico, no início desta década, o Partido da República deu um grande salto quantitativo nos últimos anos. Hoje, comanda dezenas de prefeituras Rio Grande do Norte afora e em cidades importantes como Caicó, Ceará-mirim e São Gonçalo do Amarante. E há boas perspectivas de aumentar os quadros do partido na Assembléia Legislativa.

 

Decerto que apoios políticos e partidos grandes não garantem vitórias nas urnas. A história recente da política potiguar nos ensina que quem decide mesmo é a vontade própria da população eleitora. Exemplo maior desta afirmativa foi a eleição de Wilma em 2002. Mas engajamento e organização partidária têm sido decisivas em eleições apertadas.

 

Por fim, de muito dependerá a própria atuação e desenvoltura do deputado daqui para frente. Manter o perfil de um político com pouca rejeição junto ao eleitorado é o começo. Conseguir transmitir à opinião pública sua crescente importância em Brasília e, essencial, mostrar seu decisivo envolvimento na recuperação da malha rodoviária federal no Estado, são fatores fundamentais para a consolidação de seu projeto político de um dia governar o Rio Grande do Norte.

Na iniciativa privada o empresário João Maia provou ser um vencedor. Na vida pública, até agora, o político João Maia tem mostrado que não veio para perder.

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