Ainda sobre a sujeira na Ilha de Sant’Ana

 

Nesta sexta-feira (15), me liga Izinha Batista, administradora do Complexo Turístico Ilha de Sant’Ana, em Caicó. Ela reclama do post em que ironizo a sujeira da Ilha, quando perguntei na manchete se o Lixão de Caicó fora transferido para lá.

 

Izinha diz que a limpeza completa foi feita esta semana. Não foi feita antes porque ainda havia alguns parques de diversão retirando os equipamentos do local. E fez questão de enfatizar o cuidado que tem administrando a Ilha de Sant’Ana.

 

Respondi que sabia do zelo dela com a Ilha. Conheço-a desde criança e sei que é uma pessoa dedicada e responsável. Mas ratifiquei a ela todas as críticas que aqui fiz. É inadmissível que, com ou sem parque de diversão ainda no local, se passasse mais de uma semana com o lixo tomando conta do local.

E frisei que não a responsabilizo pela sujeira do local. Ela não possui estrutura de máquinas e pessoal para fazer a limpeza. Depende da Prefeitura de Caicó. E aí... tá explicado.

João Maia ao Blog: “Não devo subserviência a ninguém”

Conversando na tarde de hoje (12), com o deputado João Maia (PR), dou os parabéns pelas últimas grandes tacadas que ele deu no tumultuado jogo da sucessão estadual. E ele me responde: “Voltei ao Rio Grande Norte pensando num projeto grande. Sou uma pessoa afável, mas não devo subserviência a ninguém”.

Wilma fica com Dilma ou Ciro?

Não soube se algum repórter perguntou à governadora Wilma de Faria (PSB), na ocasião da visita da ministra Dilma Roussef (PT), o que ela achou das últimas declarações do deputado e companheiro de partido, Ciro Gomes, dizendo que será candidato a presidente da República e não a governador de São Paulo.

Wilma ficará com a candidata de Lula ou será fiel ao PSB? Algum louco ainda duvida de qual palanque ela subirá?

 
 

HISTÓRIAS DO SERTÃO

O coronel que foi açoitado

Por Adauto Guerra:

Como tantos outros coronéis e fazendeiros, Felinto Elysio de Oliveira Azevedo, bisneto do fundador de Jardim do Seridó, Antônio de Azevedo Maia, foi mais uma vítima do terrorismo espalhado no Rio Grande do Norte pelo interventor Mário Câmara.

No dia 16 de janeiro de 1935, precisamente ao meio dia, chegava a Força Pública do Governo à fazenda Sombrio. Mesmo sabendo que receberia a desagradável visita, o coronel continuava escrevendo, sentado em sua escrivaninha, na sala da frente. A informação havia sido dada por um trabalhador, conhecido por Zé Neco, que morava na mesma propriedade. Ao passar pela casa do coronel, dirigiu-se a uma cozinheira da fazenda de nome Amália, com esta notícia: “Ei, cuidado que os cangaceiros andam aí, logo chegam aqui”. “Onde estão?”, perguntou ela.  “Lá nos Correias”, respondeu ele.

A tropa era a mesma de outros lugares. Tenente Oscar Mateus Rangel, chefe do bando; sargento Milton Campos; cabo Manoel Feitosa e mais doze soldados. Antes, eles passaram na casa de um fazendeiro de nome José França e compraram do filho dele, que tinha o mesmo nome, uma virola feita de cipó de mofumbo. E, com esta virola e mais um facão, flagelariam mais tarde o coronel Felinto. Ana Teixeira, outra empregada da fazenda, avistou a viatura encostar-se à cancela, que foi aberta por um soldado.

Em seguida, eles tomam direção ao vapor e lá estacionam a viatura. Dirigiam-se ao alpendre e o coronel levantou-se para recebê-los. Abriu a porta, mandou que entrassem e ofereceu cadeiras. Porém, isso ao bando não interessava. Um deles, de cor negra, conhecido por “Barra de Aço”, falou: “Quero armas”. O coronal respondeu: “Não tenho”. Então, em seguida ele puxou na manga da camisa e em seguida deu-lhe um empurrão, jogando o coronel ao chão, sem este controlar nem mesmo a bengala que conduzia. Esta lhe soltou na queda.

O coronel pediu: “Não façam isso”.  Ao levantar-se, o coronel foi levado aos empurrões para o vapor. A inquietação já estava formada. Chico Cirilo, um adolescente botador d’água, correu desesperado pelo mato adentro e rasgou a camisa quando passava numa cerca de arame farpado. Amália dizia: “Por caridade, vão chamar Dona Verônica”. Esta estava numa festa de casamento, a uma distância de aproximadamente três quilômetros. Era a casa de um fazendeiro por nome Jonas, que casara seu filho João Tiago, sobrinho do coronel. Felinto, o caçula da casa, conhecido por Nozinho, ainda garoto, também correu e depois do tumulto foi encontrado acocorado no tronco de uma bananeira.

João Lopes, encarregado do vapor, saiu numa carreira louca em direção a casa de seu Jonas para chamara Dona Verônica. Conforme conta outra empregada que morava perto, Alexandrina Maria de Jesus, mãe de Chico Cirilo, “o vento é quem o levava”. O coronel tinha uma filha, de nome Áurea, portadora de um distúrbio mental, que se agravara pelo elevado grau de epilepsia. Ela dava um ataque após o outro. Inconformada com a situação de seu pai, partiu para o vapor enquanto Amália a chamava: “Áurea! Venha para dentro de casa!”.

Sem dar atenção, ela ensaiava uma agressão aos algozes. O coronel sendo surrado com a virola e o facão de cortar capim que eles encontraram, dizia: “Não façam nada com ela, pois ela é doente”. Satisfeitos com o sadismo, largaram o coronel, que veio sozinho para casa, arquejando, apoiado na sua bengala. Voltou para a escrivaninha e sentou-se na tentativa de aliviar sua respiração bastante cansada. Um soldado ironicamente entrou na sala, puxou uma cadeira e sentou-se ao lado dele como se fosse bastante familiarizado.

As pessoas que estavam na casa iam se chegando e perguntando como ele estava. Ele respondeu: “Só não me mataram por um milagre de Deus”. Em seguida, mostrava o ombro ferido. Aí o soldado passou a negar dizendo que nada fizeram com o coronel. Foram uns paus que estavam escorados na parede e arriaram por acidente, ferindo o ombro dele. O negro Barra de Aço exibia-se no descampado da casa, montado em um cavalo selado.

Inacreditavelmente, mas depois que tudo se passou, o coronel mandou fazer café para eles. Amália, mesmo tremendo, conseguiu fazê-lo. Adonias, filho do primeiro matrimônio com dona Neomízia Rodrigues, convidou a tropa para tomar café. Eles recusaram. Talvez temendo envenenamento, pois aceitavam depois que o coronel tomasse.

Enfim, deixaram a fazenda sem conseguir o que queriam: armas. Ainda chegaram a desarrumar o quarto do casal, inclusive, espalhando as roupas de Dona Verônica. Todas as armas do coronel se resumiam a um facão de cortar capim, que eles levaram, e dois rifles. Estes estavam bem escondidos em uns caixões num armazém, de modo que não encontraram.

De volta do casamento, Dona Verônica encontra-se com Alexandrina e pergunta: “Você sabe o que aconteceu com Felinto?” Em seguida, as duas caminharam para casa. Os bandidos já não estavam mais. Ela ainda encontra seu esposo na escrivaninha. Ele diz: “Quase que matam”. Depois ela foi cuidar da saúde dele.

Logo a notícia chegou a Jardim do Seridó, a três léguas de distância, deixando a cidade em pânico. Um cidadão renomado, de nome João Medeiros Filho, jurista paraibano, passava em Jardim do Seridó na ocasião, em companhia de um capitão da Polícia Militar da Paraíba, Capitão Pereira Diniz. O referido senhor e o capitão foram à fazenda e trouxeram o Coronel para Jardim do Seridó a fim de receber tratamento médico.

No dia seguinte, 17 de janeiro de 1935, o telegrafista José Freire Coelho foi agredido por um elemento desconhecido porque se negou a telegrafar ao secretário de Segurança do Estado, Potyguar Fernandes, desmentindo os acontecimentos. Depois de levar duas pancadas na cabeça de um bastão de metal, não resistiu a dor, saiu gritando pelas ruas, deixando o Correio aberto. Um soldado do Exército brasileiro, que era casado com uma jardinense e se achava naquela cidade, ao perceber tomou a iniciativa de fechar o Correio. E depois comentou: “E ainda há quem acompanhe um bandido como Mário Câmara”.

Dias depois, seus filhos, que moravam em João Pessoa, vieram buscá-lo para um tratamento mais sério, pois chegou a vomitar sangue. Amália e Dona Verônica o acompanharam, enquanto Alexandrina respondia pelos afazeres domésticos. Ele passou alguns meses em João Pessoa. O coronel faleceu aos 92 anos de idade, no dia 11 de abril de 1944. 

 
 

COMENTÁRIO DO LEITOR

Meu amigo, pare para refletir, seu Blog só sabe criticar e você é pessimista demais. Comece a falar das coisas boas de Caicó e do Seridó.

 

Caicozão

Caicó – RN

 

 

Do Blog: Primeiro, não me trate como amigo seu, porque não sou. Os poucos e verdadeiros amigos que tenho não escreveriam a bobagem acima. E muito menos usariam o artifício do anonimato, como você faz agora.

 

Segundo, se você quer contos de fada, procure outro terreiro. Aqui neste Blog não há espaço para colunismo social barato.    

 

Certa vez, alguém disse que eu era uma espécie de discípulo do escritor romeno Emil Cioran, conhecido como o ”pai do pessimismo”. Usou mais ou menos o argumento que você expôs em seu comentário. Uma inverdade, claro.

 

Meu pessimismo é outro. Sou descrente com a classe política, com a postura de todos nós brasileiros diante da gandaia ora instalada no poder. Mas sou um otimista nas relações de trabalho, família e de amizade.

 

O pessimismo de Cioran é com o mundo, com a vida. Leia a demolição que vai abaixo. É um trecho de um livro que tem o sugestivo título de “Breviário da Decomposição”. 

 

“É inútil construir tal modelo de franqueza: a vida só é tolerável pelo grau de mistificação que se põe nela. Tal modelo seria a ruína da sociedade, pois a “doçura” de viver em comum reside na impossibilidade de dar livre curso ao infinito de nossos pensamentos ocultos. É porque somos todos impostores que nos suportamos uns aos outros. Quem não aceitasse mentir veria a terra fugir sob seus pés: estamos biologicamente obrigados ao falso. Não há herói moral que não seja ou pueril, ou ineficaz, ou inautêntico; pois a verdadeira autenticidade é o aviltamento na fraude, no decoro da adulação pública e da difamação secreta. Se nossos semelhantes pudessem constatar nossas opiniões sobre eles, o amor, a amizade, o devotamento seriam riscados para sempre dos dicionários; e se tivéssemos a coragem de olhar cara a cara as dúvidas que concebemos timidamente sobre nós mesmos, nenhum de nós proferiria um “eu” sem envergonhar-se. A dissimulação arrasta tudo o que vive, desde o troglodita até o cético. Como só o respeito das aparências nos separa dos cadáveres, precisar o fundo das coisas e dos seres é perecer; conformemo-nos a um nada mais agradável: nossa constituição só tolera uma certa dose de verdade…”

Finalmente, alguém para vigiar o patrimônio de todos nós

 

 

Desde que o promotor Jovino Pereira foi embora de Caicó, em 2005, que a 3ª Promotoria de Defesa do Patrimônio Público se encontrava sem um titular. De lá pra cá, alguns nomes foram anunciados para substituí-lo, mas a troca nunca foi concretizada.

 

Quem me acompanha há mais tempo deve lembrar deu anunciando aqui a chegada desses promotores. Mas logo depois vinha a frustração do “não vem mais”. Prometi a mim mesmo e a alguns amigos do Ministério Público que só falaria do novo titular da 3ª Promotoria somente após vê-lo nomeado e trabalhando ativamente.

 

Felizmente, há algumas semanas que o Ministério Público de Caicó conta com a promotora Fladja Raiane Soares de Souza (na foto) comandando a Defesa do Patrimônio Público. As pessoas de bem desta terra esperam que ela vigie bem o que é meu, seu, nosso. É imoral e inaceitável que os larápios continuem a meter a mão no bolso de todos nós.

Vigiar concurso público deve ser prioridade da nova promotora

 

A nova promotora tem muito trabalho pela frente. Mas não tenho dúvidas de que haverá uma prioridade maior neste ano: acompanhar de perto o concurso público anunciado pela Prefeitura de Caicó.

 

Serão mais de 500 empregos prometidos. Se não houver uma fiscalização firme e competente por parte do Ministério Público, não duvidem do trem da alegria que acontecerá. 2010 é ano de eleição e interesses estão em jogo.

 

O tal do processo seletivo, feito recentemente pela Prefeitura de Caicó, é um exemplo do que pode acontecer.

 

A promotora deve ficar ciente do triste histórico dos concursos públicos realizados em Caicó. O critério de aprovação que vale não é o da capacidade dos candidatos. O que conta é o grau de apadrinhamento político de cada um.

Um exemplo dos “concursos públicos” de Caicó

 

Tenho um amigo que é funcionário “concursado” da Prefeitura de Caicó. Numa administração passada, ele e outros passaram a ser efetivados no funcionalismo municipal. Mas para que isso fosse legalizado, era necessário criar um concurso público.

 

Certo dia, ele dormia pela manhã quando um funcionário da Prefeitura bate à sua porta. Vinha avisar que o esperavam para começarem entregar a prova do tal concurso. Meu amigo havia esquecido a data... hehehe.

 

Chegando lá, mandaram-no assinar a prova e nada mais.

Lixão de Caicó foi transferido para a Ilha de Sant’Ana?

 

Lá se vão dez dias do término da Festa de Sant’Ana e o lixo na Ilha, produzido durante o evento, permanecia intocável até a noite desta segunda-feira (10). Quem caminha na calçada do complexo também se depara com fezes de animais.

 

A propósito, muita gente tem evitado caminhar ou correr no local após o escurecer. Principalmente as mulheres. É que os postes do setor ao lado do ginásio poliesportivo estão com as luminárias apagadas. Numa quase completa escuridão.   

 

Não sei se foi bom negócio – para os caicoenses, é claro – entregarem o complexo Ilha de Sant’Ana à Prefeitura de Caicó. Se ela trata a cidade do jeito que estamos vendo, porque faria diferente com a Ilha?

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Um abraço especial aos leitores Dedé de Abel, Cínthia Pereira, Leonardo Gomes, Cláudio Porpino, José Rangel, Diego Vale, Freire Neto, Jamil da Silva, Alessandro Saldanha e Gerson Nascimento por seguirem o Blog no Twitter.

 

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Comerciantes que paragam pelo uso de espaço público pensam em acionar Justiça contra Prefeitura de Caicó

 

Há uma movimentação de bastidores, feita por comerciantes que pagaram taxas de uso de espaço público à Prefeitura de Caicó, durante a Festa de Sant’Ana, com o intuito de entrarem na Justiça pedindo a restituição do que pagaram.

 

O Blog soube que um proprietário de parque de diversão deve acionar a Justiça, independentemente dos demais, alegando cobrança indevida.

Prefeitura e Câmara de Caicó não abrem vagas para jornalistas

 

A Prefeitura de Caicó divulgou a realização de concurso público para este ano. Há algumas semanas, a Câmara de Vereadores também informou que realizará concurso.

 

Nos dois casos, tem vaga para tudo que é profissão, menos para jornalista.

 

Enquanto isso, vários jovens formados em Comunicação Social estão em busca de emprego.

Interdição força resolução de problemas

 

Vejam como decisões drásticas acabam resolvendo de vez os problemas. A Agência Nacional de Aviação Civil – ANAC – inspecionou e interditou o perigoso aeródromo de Caicó.

 

Então, o Governo do Estado se viu obrigado a realizar uma boa reforma no local, conforme a notícia que leio sobre a liberação de recursos para a obra.

 

O mesmo deve acontecer com o Lixão e o Matadouro Público de Caicó. Por isso, insisto: a interdição dos dois foi motivo de comemoração.

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