Para entender as pesquisas eleitorais – Parte IV

Pesquisadora do AGORASEi na zona rural de Assu
Quão precisos são os resultados das pesquisas brasileiras?
Um estudo desenvolvido pela ABEP analisou 469 pesquisas no período de 1982 a 1998, comparando as diferenças entre as estimativas das pesquisas de intenção de voto nas duas semanas anteriores à eleição e os percentuais efetivamente verificados.
Concluiu-se que, no Brasil, com base nesses 16 anos de pesquisa eleitoral em eleições para prefeito, governador e presidente da República, o erro amostral ficou em torno de 3,0 pontos percentuais, podendo ir, em 95% dos casos, até cerca de 6 pontos. Quando excluídos os votos nulos, em branco e indecisos, recalculando-se os percentuais para esse novo total, o erro amostral cai para cerca de 2 pontos, ficando 95% dos desvios entre 0 e 5,5.
Os resultados, assim, estão perfeitamente compatíveis com os padrões nacional e internacionalmente aceitos.
Fonte: Abep
DIÁRIO DE VIAGEM
A popularidade de Lula entre o povo do campo

Na zona rural do município de Olho D’água do Borges, na região Oeste, encontro um senhor debulhando feijão no alpendre da residência. Seu Francisco, de 83 anos, me convida para sentar enquanto o pesquisador que me acompanha faz uma entrevista com a filha dele, numa casa vizinha.
Pergunto se a safra na região foi boa e ele responde que o inverno generoso deste ano ajudou muito. Mas ressalta que a agricultura de subsistência está ficando para trás. “Se a gente fosse depender do que planta pra viver, tava todo mundo morrendo de fome”, diz o senhor.
Mesmo prevendo a resposta, pergunto então de que sobrevive ele e os familiares que moram ao redor. “Se não fosse a aposentadoria (dele) e o dinheiro do governo a situação era muito difícil”.
É de programas sociais do Governo Federal que vem a maior parte do sustento da família do aposentado.
E pergunto o que ele acha do presidente Lula. “Meu filho, foi o primeiro presidente que olhou de verdade para os pobres. Só teve ele”, diz convicto. “Ele era pra ser presidente até morrer”, emendou.
Nas diversas comunidades rurais que tenho andado pelo interior do Rio Grande do Norte e da Paraíba, realizando pesquisas, a opinião das pessoas do campo sobre Lula é idêntica à de Seu Francisco.
Daí acredito que o círculo vicioso não acaba tão cedo. A perpetuação da miséria e o controle da opinião de quem sofre dela são certezas de sucesso eleitoral.
Para entender as pesquisas eleitorais – Parte III

Pesquisadora do AGORASEi em Jardim de Angicos
Por que muitas vezes os resultados das pesquisas são diferentes do que eu e as pessoas que conheço pensamos?
É improvável que se tenha um círculo de amigos tão diverso quanto uma amostra representativa da população estudada. Isto significaria conhecer pessoas de todas as idades, em todos os bairros, de todos os níveis socioeconômicos. Assim, na próxima vez que você vir uma pesquisa mostrando apenas 30% de acordo com seu ponto de vista, lembre-se que, embora você possa não estar na maioria, isto ainda significa que 54 milhões de brasileiros pensam como você.
Fonte: Abep
Comento: escuto muito as pessoas dizerem: “lá onde eu trabalho só tem gente que vota em fulano”. Também apontam a rua onde moram, os familiares e o círculo de amizade para avaliarem o potencial de candidaturas. Pior ainda são os próprios candidatos, que dizem: “Onde eu chego sou bem recebido e é a prova maior de que estou à frente”.
“A mão que bota é a mesma que tira”
A governadora Wilma de Faria inaugura hoje (23) a Ilha de Sant’Ana num clima que já não é de lua-de-mel com a população caicoense. Pesquisas indicam que a aprovação da governadora em Caicó está pouco acima dos 50%. Já foi superior a 70%, antes dos diversos adiamentos da inauguração do complexo turístico.
Não há dúvidas de que o excelente desempenho eleitoral de Wilma, em Caicó, nas eleições de 2006, foi fruto da construção da Ilha de Sant’Ana. Conseqüentemente, a ótima aprovação da administração estadual até o final de 2007, no município, também é creditada à Ilha.
E como diz o ditado de que “a mão que bota é a mesma que tira”, a atual queda na popularidade da governadora em Caicó se deve aos adiamentos da inauguração que, finalmente, acontecerá hoje.
Campanha parada
Na maioria dos municípios a movimentação política ainda é bastante tímida. Não tem comício, carreatas e nem carro de som perturbando o sossego da população. Por enquanto, os candidatos fazem a campanha na base das visitas e do aperto de mão. Aprenderam que não adianta largar na frente e faltar fôlego na reta final. Traduzindo: os recursos financeiros têm que ser bem gastos.
Para entender as pesquisas eleitorais – Parte II

Pesquisa do AGORASEi em Caiçara do Rio dos ventos
Como uma amostra de apenas 2 mil pessoas pode refletir verdadeiramente as opiniões de 130 milhões de eleitores brasileiros? Uma amostra maior não é sempre melhor que uma menor?
A confiabilidade ou precisão dos métodos de pesquisa e suas amostras são derivadas de uma ciência matemática chamada Estatística. Na raiz da confiabilidade estatística está a probabilidade, isto é, a possibilidade de se obter um determinado resultado, apenas por casualidade.
É importante lembrar que as estimativas de erro de amostragem potenciais sempre presumem amostras aleatórias. Até mesmo em amostras totalmente aleatórias, a precisão pode ser comprometida por outros fatores, como a redação das perguntas ou a ordem na qual foram feitas.
Não há um tamanho de amostra ideal. Amostras de qualquer tamanho têm algum grau de precisão. A pergunta sempre será se há precisão suficiente para tirar conclusões conforme determinado pela teoria estatística.
O aspecto mais importante em amostragem não é a quantidade de respondentes mas como são selecionados. Uma amostra fidedigna seleciona os respondentes de uma pesquisa aleatoriamente ou de uma forma que assegure que todos na área que está sendo pesquisada tenham a mesma chance de ser selecionados.
Fonte: Abep
Comento: O Instituto AGORASEi usa informações do Tribunal Regional Eleitoral para determinar percentual de sexo e faixas etárias na amostra. Também utiliza dados do IBGE para dividir corretamente as populações urbana e rural de cada município pesquisado.
Para entender as pesquisas eleitorais – Parte I

Pesquisadora do AGORASEi trabalhando em Caicó
Cada vez mais a população tem acesso a diversos resultados de pesquisas eleitorais, publicados pelos mais variados tipos de mídias e veículos de comunicação. Por parte, vou publicando as respostas para as perguntas mais freqüentes relacionadas a pesquisas eleitorais no Brasil. As informações são da Abep – Associação Brasileira de Empresas de Pesquisa.
Por que eu ou meus amigos nunca fomos incluídos nas pesquisas eleitorais?
A razão é bastante simples. Há aproximadamente 130 milhões de brasileiros aptos a votar. Uma pesquisa tem, em geral, um tamanho de amostra de 2 mil pessoas. Isto significa que apenas uma pessoa em 65 mil será incluída em qualquer pesquisa nacional.
Colocando de outro modo, seriam necessárias 65 mil pesquisas com amostras de 2 mil pessoas para que os pesquisadores pudessem atingir todos os eleitores brasileiros - e isto presumindo que ninguém fosse entrevistado duas vezes.
Ainda que diversas pesquisas sejam realizadas a cada eleição, a probabilidade de um indivíduo participar de uma pesquisa nacional é muito pequena.
Comento: já as chances de participação em pesquisas locais nas cidades pequenas são bem maiores. O Instituto AGORASEi, por exemplo, realiza pesquisa em Caicó com uma amostra de 480 entrevistados. O município tem um eleitorado aproximado de 43 mil eleitores. Uma pessoa em 89 é incluída em cada pesquisa do Instituto.
As chances de participação aumentam ainda mais se considerarmos que são realizadas várias pesquisas numa eleição e por diversos institutos.
Itans eterno

Passo nesta semana pela parede do açude Itans e não resisto. Peguei a câmera e fiz o registro acima. Uma paisagem que nunca cansamos de olhar.
Reclamação 1
A qualidade do serviço prestado pela TIM volta a cair, pelo menos aqui em Caicó. Ligar para outro celular da operadora está sendo uma tortura. Na maioria das vezes o sinal do contato aparece como fora de área ou desligado. Tem que tentar mais de uma vez para conseguir a ligação. No ano passado os usuários também sofreram com problema parecido.
Reclamação 2
Já no Banco do Brasil a tortura na fila de atendimento parece não ter fim. Hoje, alguém do meu escritório ficou mais de uma hora no purgatório apenas para pagar um boleto bancário. A explicação dada pelo banco era a de que o sistema esta fora do ar. A desculpa de sempre.
Os riscos das impugnações em Serra Negra do Norte
Em Serra Negra do Norte a população vive a expectativa sobre o futuro dos três candidatos a prefeito na Justiça Eleitoral. Houve pedido de impugnação das candidaturas de Rogério Mariz (PSB), Acácio Brito (PT) e Dilvan Monteiro (PDT).
A pedido do Blog, um advogado – que ficará evidentemente no anonimato – analisou cada caso e concluiu: a chance de impugnação de um é praticamente nula, de outro é moderada e do terceiro é alta.
Mas não me peçam para dizer a ordem dos nomes nessa análise.
Ex-vereador adere à reeleição de Zé Lins

Zé Lins (esq.) e Tino, de Branco
O prefeito Zé Lins (PSB) recebeu um apoio inesperado no sábado passado (19), durante a Feirinha de Sant’Ana. O ex-vereador Tino (PMDB) esteve ao lado do prefeito na caminhada realizada na Feirinha, em Currais Novos. A imprensa local vinha anunciando que Tino seria um dos que não teria concordado em apoiar Zé Lins.
Publicação de pesquisa depende do cliente
Algumas pessoas me perguntam quando será publicada a primeira pesquisa sobre a sucessão municipal de Caicó. Respondo que não sei. Da parte do AGORASEi, nenhum cliente indicou até o momento iniciativa de publicar uma pesquisa encomendada ao nosso instituto. E é o cliente quem decide. Outros institutos da capital também vêm realizando pesquisas em Caicó nos últimos dias.